
Vivo entre dois mundos muito interessantes...
Os meus filhos mais velhos estudam pela manhã e o meu caçula a tarde.
Assim, em alguns dias, quando vou deixar o menor no colégio é hora de pegar os grandes para levar para casa.
Junto com o de nove anos levo também três coleguinhas quase da mesma idade que são nossos vizinhos, é uma conversa sem fim, com histórias e "causos" para contar, tudo é hiperbólico: “o carro do papai é o maior do mundo!”. “ minha casa é a melhor do mundo!”, “meu pai é o mais bravo do mundo!”, “meus brinquedos são os melhores do mundo”. O percurso é todo embalado pela conversa em decibéis que devem ser desaconselháveis em um carro fechado.
Deixo os pequenos na escola, e entram no carro meus mais velhos e outros dois colegas, também vizinhos que aproveitam a carona, para evitar o “busão”. Imediatamente, a algazarra dá lugar ao papo monossilábico, afinal a “mãe” está presente. Tia, que antes era pronunciado nas alturas dá lugar a um timbre baixo, quase tímido. Vez por outra eles me permitem fazer parte do mundo deles e aumentam o volume, me perguntam alguma coisa, para, depois da resposta, voltar ao silêncio ou à conversa inaudível. Na adolescência eles começam a ter conversas incompreensíveis. E sabe? Acho que é de propósito! (risos).
Levar meus rebbentos e seus amigos para o colégio e trazê-los para casa faz uma mágica acontecer no meu carro, com os caçulas aprendo a espontaneidade da infância e passo a acreditar que estou no melhor carro do mundo com as melhores companhias. Com os mais velhos, nos raros momentos que sou chamada a participar, me acho uma adolescente, com vontade de tomar sorvete e conversar sobre amenidades e vez ou outra soltar uma pérola, que não poderia ser dita diante de uma “mãe”.
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