sábado, 21 de fevereiro de 2015

Incomodada por nada

Partilhando uma história com vocês:
Certo dia fiquei incomodada com um aluno meu que, sentado na primeira cadeira pertinho da minha mesa, olhava insistentemente para o relógio. Tão incomodada que tive que perguntar se o relógio estava quebrado.
No final de outra aula, naquele momento que os alunos nos cercam com seus cadernos para tirar uma dúvida ou outra, ele se aproximou e aproveitei para conversar com ele:
_ Meu filho, porque você olha tanto para o relógio? Não gosta da minha aula? Eu fico preocupada.
Foi então que ele me respondeu:
_ Professora, tenho um pouco de ansiedade e olhar para o relógio me ajuda nisto.
Fiquei desconsertada, mas tirei uma grande lição disto. Nem sempre os atos dos outros tem haver conosco, não precisamos nos incomodar tanto, muitas vezes só tem haver com eles mesmos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ter fé na humanidade

Miguel esqueceu a garrafa de água dele no colégio, uma garrafa q ele gosta muito. Fui preparando o espírito dele para não encontrar novamente aí ele me disse:
- Mãe, se eu chegasse com uma garrafa em casa dizendo q achei no colégio a senhora iria dizer para eu deixar nos achados e perdidos, não é? Pois vamos ter fé na humanidade, todos devem ter uma mãe!!!
Fico preocupada de não estar criando meus filhos para o mundo!
 — se sentindo preocupada.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Faz uma difícil mesmo!

Aqui pesquisando na internet uma blusa de crochê, para começar a fazer! Aí desenrola-se o seguinte diálogo:
Mario: - o q vc está pesquisando?
Eu: -uma blusa fácil de crochê para fazer. Mas não estou achando!!!
Mario: - Faz uma difícil mesmo, então!!!
😳 ele confia demais nas minhas habilidades, tão inocente!!!!rsrs

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Coisas de Miguel!

Ai eu escuto do Miguel :
- A mamãe é que nem abacaxi, é doce mas é difícil de descascar!!!
Eu aguento??? Rsrs

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- Mãe, não me importo com o que os outros acham, até porque eu não sou diferente, sou só uma edição limitada!!!!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Aprendi com minha avó!

Aprendi a fazer crochê com minha vozinha, eu e Elaine! Aprendemos, no entanto, mais do que trançar pontos, aprendemos que se tiver algum ponto errado devemos desfazer e refazer, aprendemos q a paciência é uma virtude e que cada ponto é essencial para o trabalho completo!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Ela, a multidão e a chuva

Ela escutou o barulho da multidão, parecia que falavam uma só voz e que todos os que iam e vinham compunham um único corpo cheio e vazio. Não havia cumprimentos, porque ninguém se conhecia. Não havia sorrisos, não havia gestos com as mãos. Não havia, não havia...
E ela sentiu-se só, mesmo com tantos a sua volta. Seu coração doía, e tinha vontade de partilhar sua dor, de parar alguém e pedir um abraço, de receber um carinho ameno e ouvir que tudo ia ficar bem.
Seus olhos procuravam os olhos de alguém, mas só encontravam vazios em seu lugar. Suspirou triste pela vã procura, sentou-se um banco e esperou a dor passar. Tudo passa, tudo passa!

Começou a chover e as gotas tocavam seu cabelo e sua pele envolvendo-a em um clima todo diferente, escorrendo por sua têmpora e misturando-se com suas lágrimas, mas levando-as consigo. Deixou-se fazer parte da chuva, e quando ela acabou levantou-se e sentiu-se pronta para enfrentar qualquer clima, apesar de estar sozinha na multidão.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Lendo na praia

Em um dia ensolarado, andando na praia, pensei em ver o que sempre enche meus olhos: crianças brincando com baldes e pás, com o corpo tostado a milanesa, em uma cor que nos convida a construir castelos de areia e sonhos também, pensei em ver homens e mulheres pulando ondas, um ou outro extasiado pela primeira vez no mar. Imagens e cores que os dias de sol a beira mar sempre trazem...

Mas hoje vi algo diferente: eles estavam sentados, um ao lado do outro, em uma cumplicidade que só o tempo permite encontrar, em uma das mãos de cada um havia um livro, e seus olhos acompanhavam a cadências das leituras empreendidas, e as mãos, que estavam livres, se encontravam e se uniam em um tom quase casual.

A cena me foi desvelada por um comentário: "Como se vem para a praia para ler?". Olhei com atenção para o casal que parecia alheio a tudo a sua volta, mas percebi nuances que um primeiro olhar não revela. O senhor, mesmo com o olhar fixo na leitura que realizava, passava levemente o polegar sobre o dorso da mão de sua esposa e vez por outra brincava com a aliança que ele havia posto em suas mãos, e que parecia ter muito tempo que ali estava. A leitora fincava levemente seus pés na areia e brincava fazendo círculos, indo e voltando na cadência da leitura.

Sentei-me um pouco atrás do casal, e continuei a apreciar a vista que eles emolduravam, pareciam pertencer aquele lugar, pareciam que só eles estavam ali. Lembrei do comentário que me levou aquela paisagem e sorri, sabia a resposta à pergunta retórica: Se vem a praia para ler quando o mar, a praia e o céu, quando o paraíso não está fora, mas dentro de você.