Hoje, Miguel estava sentado na minha frente, enquanto a família toda esperava pela chegada do almoço em um restaurante.
Ele quebrava os palitos de dentes e fazia figuras com eles.
Uma hora ele me perguntou o que eu estava vendo, e eu na minha habitual impaciência disse:
_ Sei não, Miguel.
Ele olhou pra mim, suspirou e disse:
_ Olha de novo, mamãe, mas olha com os olhos da imaginação!!!
É!!! Quando uma criança finda um trabalho que levou preciosos minutos para realizar tem sempre uma linda explicação para dar. Ou fez um furacão para explicar aquele risco torto que não tem forma de nada ou fez o seu cachorro, ou desenhou o papai matando um mostro, mas ela tem sempre um olhar diferente...
Quando a infância está presente um cadeira vira uma espaçonave, uma caixa de papelão vira um carrinho, o cajueiro é um palácio com torres, salas, quarto do rei e trono.
A criança tem sempre um olhar diferente... E por mais dificuldade que a criança viva ela tem sempre um semblante feliz quando está com um olhar diferente.
Temos que aprender a olhar diferente! A olhar com o olhar da imaginação!!!
Obrigada, Miguel!
domingo, 29 de abril de 2012
domingo, 25 de março de 2012
Casamento
Não sei porque muita gente não acredita no casamento. Recentemente li um comentário em uma revista, destas revistas de salão de beleza feminino, que o casamento é um desrespeito à pessoa que se ama.
Acho que nem todo mundo está preparado para o casamento, nem o casamento foi feito para todo mundo, mas daí a generalizar o casamento como algo ruim, a sepultura do amor, eu acho um exagero.
Concordo que o número de famílias que vivem baseadas em um casamento infeliz, desarmonioso, é muito grande, concordo também que muitos dizem que vivem um casamento, quando vivem uma solidão a dois. Concordo ainda que o casamento não foi feito para todo mundo, ou que alguns não foram feitos para o casamento, o que preferirem.
Um amigo meu diz repetidamente que a palavra mágica do casamento é renúncia,. Talvez ele tenha razão, mas para mim a palavra mágica do casamento é amor.
São Paulo define muito bem o amor e Renato Russo soube aproveitar esta definição: “o Amor tem paciência, não é ciumento, não se irrita, não guarda rancor, tudo desculpa, tudo crer, tudo espera, tudo suporta”. Estes versículos bíblicos com uma frase que me mãe sempre repete: “Ingratidão tira afeição”, são para mim os cernes do casamento. Enquanto houver amor, vale a pena ser casado. Enquanto se olha no relógio para as horas passarem mais rápido para estar logo em casa.
Nem todo mundo tem a vocação necessária para o casamento, mas os que a tem e encontram a pessoa certa, com certeza não encontraram um inferno na terra, mas uma pontinha do paraíso.
Acho que nem todo mundo está preparado para o casamento, nem o casamento foi feito para todo mundo, mas daí a generalizar o casamento como algo ruim, a sepultura do amor, eu acho um exagero.
Concordo que o número de famílias que vivem baseadas em um casamento infeliz, desarmonioso, é muito grande, concordo também que muitos dizem que vivem um casamento, quando vivem uma solidão a dois. Concordo ainda que o casamento não foi feito para todo mundo, ou que alguns não foram feitos para o casamento, o que preferirem.
Um amigo meu diz repetidamente que a palavra mágica do casamento é renúncia,. Talvez ele tenha razão, mas para mim a palavra mágica do casamento é amor.
São Paulo define muito bem o amor e Renato Russo soube aproveitar esta definição: “o Amor tem paciência, não é ciumento, não se irrita, não guarda rancor, tudo desculpa, tudo crer, tudo espera, tudo suporta”. Estes versículos bíblicos com uma frase que me mãe sempre repete: “Ingratidão tira afeição”, são para mim os cernes do casamento. Enquanto houver amor, vale a pena ser casado. Enquanto se olha no relógio para as horas passarem mais rápido para estar logo em casa.
Nem todo mundo tem a vocação necessária para o casamento, mas os que a tem e encontram a pessoa certa, com certeza não encontraram um inferno na terra, mas uma pontinha do paraíso.
domingo, 11 de março de 2012
Vaidade!

O espelho refletia um rosto jovem, mas a alma estava cansada... Talvez precisasse de uma maquiagem, preparou o batom, o pó, a sombra, contornou os olhos, e ainda assim a alma continuava cansada.
Saiu, precisava comprar um vestido novo, escolheu um azul, com detalhes amarelos em rajas que o tornavam único, mas ainda assim a alma estava cansada. Talvez um sapato, escolheu um que tornava seu pé maravilhoso, mas a alma... ela ainda estava cansada!
Foi ao salão, luzes, corte, hidratação, escova... clareamento da pele... Seu rosto ficou radiante em beleza, mas a alma...
Andava e despertava olhares de admiração, em um vestido azul, com sapato maravilhoso...
Viu uma senhora, parada, poucos carros, não atravessava a rua... Era cega... Teve o ímpeto de atravessar a rua e o fez, mas parou, seu coração não lhe permitia mais um passo... Voltou, tomou a senhora pela mão e a conduziu até o outro lado, perguntou a onde ia e a levou até o seu destino, soube de sua história, cegueira recente, dificuldade de adaptação, estava só, mas os filhos viriam no final de semana, estavam providenciando a mudança...
Continuou o seu caminho... por um instante algo não mais perturbava, os pingos de chuva começaram a cair... Mas ela não correu... A escovinha poderia ser feita amanhã.. Mas a alma, esta tinha sido restaurada!
Site da imagem: http://www.mundodastribos.com
domingo, 4 de março de 2012
Curacanga

A hora de dar a luz já se aproximava... As dores já estavam apertando e o seu temor era imenso! Mas o que assustava não era o parto, este já seria o sétimo! Mas o receio de nascer mais uma menina... O medo da maldição!
Casara-se e tivera a primeira filha Anete, a segunda Bernarda, a terceira Cândida, a quarta Dorinha, a quinta Eva, na esperança que o próximo fosse o Adão,mas nasceu a sexta e já com medo da maldição colocara o nome de Sexta, para assim evitar ter outro filho, ou pior outra filha.
Contava-se que a sétima filha, nascida em casa de apenas meninas, tornar-se-ia uma Curacanga, uma mulher cuja cabeça lhe saia do corpo e em forma de uma bola de fogo voava pelos campos e cuidava de apavorar quem encontrar nesta estranha vagabundeação.
Durante todos aqueles meses chorara muito, não sabia como fazer para evitar o mal a sua filha, caso fosse uma menina que estivesse esperando. Ao sentir as dores mandou chamar o padre que sabedor de sua aflição, e apesar de haver por muito tentado consola-la, prometera-lhe que iria ver a criança no momento do nascimento.
Em fim a criança veio ao mundo! Todos no quarto ficaram mudo, as mulheres que acompanharam o parto olharam para a mãe de forma desolada! Era uma menina! Uma linda menina, que de forma impressionante não mostrava marcas do esforço do nascimento, mas suas feições eram delicadas.
Seu marido entrou no quarto, ao ouvir o choro da criança, foi ao encontro da esposa com um semblante aliviado! Gertrudes, mezinheira de longa data, havia encontrado uma solução para o tormento do casal.
A salvação seria o batismo, no mesmo dia do nascimento e a irmã mais velha, Anete, seria a madrinha da ultimogênita. Assim ocorreu! O padre ao chegar e para sossegar o coração da mãe realizou o batismo e Anete tomou sua irmã como afilhada, e deram-lhe o nome de Gláucia, porque ela seria luzente mas seu brilho não seria mais a de uma bola de fogo nas noites estreladas do interior do Brasil.
Texto baseado em lenda do Meio Norte do Brasil.
site da imagem: http://www.jangadabrasil.com.br/julho23/im23070b.htm
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Entre dois mundos

Vivo entre dois mundos muito interessantes...
Os meus filhos mais velhos estudam pela manhã e o meu caçula a tarde.
Assim, em alguns dias, quando vou deixar o menor no colégio é hora de pegar os grandes para levar para casa.
Junto com o de nove anos levo também três coleguinhas quase da mesma idade que são nossos vizinhos, é uma conversa sem fim, com histórias e "causos" para contar, tudo é hiperbólico: “o carro do papai é o maior do mundo!”. “ minha casa é a melhor do mundo!”, “meu pai é o mais bravo do mundo!”, “meus brinquedos são os melhores do mundo”. O percurso é todo embalado pela conversa em decibéis que devem ser desaconselháveis em um carro fechado.
Deixo os pequenos na escola, e entram no carro meus mais velhos e outros dois colegas, também vizinhos que aproveitam a carona, para evitar o “busão”. Imediatamente, a algazarra dá lugar ao papo monossilábico, afinal a “mãe” está presente. Tia, que antes era pronunciado nas alturas dá lugar a um timbre baixo, quase tímido. Vez por outra eles me permitem fazer parte do mundo deles e aumentam o volume, me perguntam alguma coisa, para, depois da resposta, voltar ao silêncio ou à conversa inaudível. Na adolescência eles começam a ter conversas incompreensíveis. E sabe? Acho que é de propósito! (risos).
Levar meus rebbentos e seus amigos para o colégio e trazê-los para casa faz uma mágica acontecer no meu carro, com os caçulas aprendo a espontaneidade da infância e passo a acreditar que estou no melhor carro do mundo com as melhores companhias. Com os mais velhos, nos raros momentos que sou chamada a participar, me acho uma adolescente, com vontade de tomar sorvete e conversar sobre amenidades e vez ou outra soltar uma pérola, que não poderia ser dita diante de uma “mãe”.
Site da imagem: http://websmed.portoalegre.rs.gov.br
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Dimensão do querer bem!
Fico aborrecida quando chego no trabalho e percebo que não levei o celular, ou que esqueci alguma coisa no trabalho . Nem conto as vezes que tive que voltar para pegar algo. A minha última façanha, foi perder um guarda chuva enooorme, lindo, presente da minha mãe, do qual eu tinha muito ciúme. Realmente fico chateada.
Mas situação pior que a minha é a do Mário, que é super organizado, acha qualquer coisa sua no escuro, sabe exatamente onde tudo está guardado, e, se “esquece” alguma coisa, normalmente é por minha “máxima culpa”.
Fico a imaginar como deve ser difícil a convivência de alguém organizado com outra pessoa com déficit de atenção. E na situação do Mário o pior é que os filhos que, fisicamente, são cópia fiel do pai, acharam de puxar para a mãe apenas nos defeitos. Somos quatro contra um, e ele vive estoicamente neste ambiente, recolhendo as coisas, me ajudando a procurar os meus perdidos (emburrado, mas ajuda!), voltando no meio do caminho para pegar algo, comprando guarda-chuva para mim pela enésima vez.
É nesta pequenas coisas que percebo a dimensão do querer bem... Sei que meus defeitos devem ser ultrapassados, mas fazendo o exercício de sempre achar um lado bom em tudo, eles (os defeitos) me ajudam a perceber o quanto sou amada por alguém que é tão diferente de mim!
Mas situação pior que a minha é a do Mário, que é super organizado, acha qualquer coisa sua no escuro, sabe exatamente onde tudo está guardado, e, se “esquece” alguma coisa, normalmente é por minha “máxima culpa”.
Fico a imaginar como deve ser difícil a convivência de alguém organizado com outra pessoa com déficit de atenção. E na situação do Mário o pior é que os filhos que, fisicamente, são cópia fiel do pai, acharam de puxar para a mãe apenas nos defeitos. Somos quatro contra um, e ele vive estoicamente neste ambiente, recolhendo as coisas, me ajudando a procurar os meus perdidos (emburrado, mas ajuda!), voltando no meio do caminho para pegar algo, comprando guarda-chuva para mim pela enésima vez.
É nesta pequenas coisas que percebo a dimensão do querer bem... Sei que meus defeitos devem ser ultrapassados, mas fazendo o exercício de sempre achar um lado bom em tudo, eles (os defeitos) me ajudam a perceber o quanto sou amada por alguém que é tão diferente de mim!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
O meu caroço de feijão

Era apenas um caroço de feijão. Mas para mim era o meu caroço de feijão. Levei para a escola, juntamente com um pouco de algodão e pratinho.
A professora colocou os caroços nos pratos de cada criança e colocou o nome, colocou o algodão molhado por cima e explicou que iria acontecer um milagre. Durante toda a aula fiquei a olhar de soslaio para o meu prato. Parecia que ele crescia, ora parecia que tinha um arco-íris por cima dele, acho que cheguei a ver uma fadinha com varinha de condão, mas ela foi embora quando sem acreditar retornei a vista. Terminou a aula e a ansiedade pelo outro dia me consumiu boa parte da noite, quando finalmente adormeci sonhei com o meu caroço de feijão. Durante os dias seguintes acompanhei com atenção o seu desenvolvimento e um dia quando cheguei no colégio uma pontinha tinha feito uma pequena abertura no grão e a professora começou a falar do milagre da vida. Não sei que sensação foi a que eu experimentei naquele momento, mas sei que voltei a senti-la duas vezes depois na vida.
Um dia após ter passado muito mal durante vários dias e após muitos exames finalmente descobri que estava grávida, uma gravidez que segundo os especialistas deveria ser difícil e só deveria acontecer após um tratamento muito sério. Mas ele estava lá, aliás, eles, soube também que eram gêmeos...
Quatro anos depois, nova surpresa, novamente a natureza me premiava com o dom da maternidade sem qualquer sofrimento adicional, era só a nossa vontade, e a de Deus, sem médicos, remédios ou dor...
Ser responsável por uma vida, seja por um pezinho de feijão aos quatro anos seja pelo último filho aos 29, é sempre uma sensação de estar ajudando Deus na sua missão de Criação.
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